South Andros – Intocado, Exuberante

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Andros poderia impressionar pelos números de sua geografia. Afinal, são milhares de ilhotas e cacos ligados por estuários e mangues que, juntos, formam a maior porção de terra das Bahamas e a quinta maior ilha do Caribe, atrás apenas de Cuba, Hispaniola (Antilhas), Jamaica e Porto Rico

Por Monica Schalka

DEVANEIO

A mim, impressionou pela exuberância de sua natureza e a força de sua gente. Chegar a Andros implica em conhecer Nassau, o que – convenhamos – não é nenhum problema. Uma noite bem dormida em qualquer dos simpáticos hotéis da capital de Bahamas nos apronta para o voo da manhã seguinte. Avião lotado, gente local, poucos turistas a bordo. Minutos depois da decolagem, o cenário já é deslumbrante.

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Vasto território, Andros é um parque natural – marinho e terrestre – praticamente inabitado. Mangues e barreiras de corais preservadas e intocadas. O verde das árvores e as areias cristalinas rodeando o azul profundo do mar nos alerta: é hora da famosa foto feita de dentro do avião. Impossível resistir! Em 30 minutos, estamos pousados em Congo Town. Uma chegada alegre e informal em um aeroporto caseiro. As malas são entregues através de um portão lateral, enferrujado e desnecessário, visto que quebrado. O passageiro tem a incumbência de pegar sua bagagem do carrinho que as transporta. Minha estada começa aqui.

Em seguida à retirada da mala, uma forte taxista se aproxima e recolhe os passageiros em sua van. Vai dirigindo e cantando pela única estrada da ilha, beirando o mar e deixando os moradores em seus locais de trabalho, residência e afins. Eu, única turista do carro, ficaria no ponto final, um píer no qual uma lancha me aguardaria.

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Escolher hotel neste pedaço do arquipélago (South Andros) foi tarefa simples. Existe apenas um. Assim, embarquei na lancha solitária atracada no pequeno porto, navegamos por 20 minutos e desembarquei no Tiamo Resort, nome que bem poderia indicar a vocação da propriedade. O público, no entanto, não se limita a jovens recém-casados. O hotel, com apenas 20 cabanas, abriga um público eclético e diferenciado.

Uma vez instalada em uma das cabanas providas de um delicioso luxo simples e completo, piscina particular, wi-fi potente e som ambiente, a escolha do que fazer – ou do que não fazer – é de cada um. A agenda está aberta e o hotel oferece desde caiaques e pequenos veleiros em seu píer, espreguiçadeiras ao longo da praia particular e guarda-sóis ao redor da piscina cinematográfica até passeios de barco pelo West Side National Park. Meus dias foram dedicados à fotografia e leitura. Porém, a região se abre a explorações bem além.

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South Andros e, mais especificamente, o Tiamo Resort estão localizados exatamente na borda do Mangrove Cay District, pedaço do arquipélago absolutamente intocado. Um passeio em embarcação adequada através das pequenas praias cristalinas, vastas áreas de manguezais e canais exóticos é uma experiência fascinante.

Para os que desejarem expandir suas aventuras, o arquipélago todo é um verdadeiro convite à natureza bruta. Uma boa opção é uma incursão pela barreira de corais (uma das mais longas do mundo) e seus blue holes, crateras que hipnotizam o olhar pelo contraste formado de suas profundas águas azuis com as claras águas rasas que os circulam. Ao longo das 190 milhas de sua extensão, com piscinas em que a profundidade chega a atingir os 6.000 pés, a barreira é um berço natural de uma infinita vida marinha.

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No entanto, embora abrigue cinco parques nacionais de preservação, Andros é aberta a pesca e conhecida como capital mundial do bonefish. Assim, para os que desejam algo além da contemplação da beleza local, o hotel se encarregará do equipamento necessário, bem como guias e boas dicas de arremesso. Tudo por uma boa fisgada! Para os amantes do birdwatching, a ilha também guarda boas surpresas: o arquipélago é lar de mais de 230 espécies de aves, sendo o bahama oriole nativo e exclusivo dessa região. Atualmente ameaçado de extinção com uma população reduzida a 250 indivíduos, o oriole conta com um eficiente programa de proteção que vem dando excelentes resultados ao longo dos últimos anos.

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Mas, como em uma boa aventura também se faz parada, aproveitei a maior parte de meu tempo para explorar em detalhes a pequena região em que me encontrava.

O hotel é isolado do resto da ilha e o único acesso se faz por mar. Assim, o grupo de hóspedes acaba formando uma pequena tribo local que por vezes interage e, por outras, se isola em suas deliciosas cabanas e hamocks (redes) particulares. O tempo passa como escolhido.

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Minha cabana posicionava-se bem em frente a uma dessas árvores de folhas verdes e caule seco, típicas do mangue local. Fui observadora feliz das distintas luzes que por ela passaram, do amanhecer às luzes noturnas. Um espetáculo estático, mutante apenas ao sabor do sol. Ainda guardo na memória, sem a necessidade de recorrer às imagens, a beleza e magia daqueles momentos.

As raias foram protagonistas de um ritual igualmente belíssimo. Destemidas e suaves, faziam das areias rasas o seu ponto de descanso. Banhavamse de sol tal como turistas ávidos pelo almejado bronze de verão. Por horas seguidas, descansavam, nadavam em movimentos lentos, buscavam pequenos alimentos e retornavam ao raso. Não havia dúvida sobre quem eram as verdadeiras donas da praia. Andar solta pelas areias da pequena praia particular rendia horas de relaxamento total, mesmo que em curto percurso, visto que a praia é interrompida pelo mangue que adentra o mar. Conchas gigantescas, galhos retorcidos em esculturas naturais, riachos e aves… Paisagens calmas de um lugar encantado.

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As refeições foram sempre uma emoção a mais. Nas mãos do renomado chef Keith, do restaurante Tiamo, produtos frescos misturados aos ingredientes locais viravam pratos requintados e saborosos. Leveza e gosto em um verdadeiro banquete ao paladar e aos olhos. A paz e deleite de minhas refeições solitárias eram quebradas apenas pela chegada de Junior, uma iguana em tamanho de dinossauro que, de maneira cínica, se aproximava tentando seduzir-me em olhares e manejos em troca de um pedaço de comida. No entanto, para sua segurança e conforto, cartazes no hotel solicitavam aos hóspedes que não cedessem ao encanto camaleônico do bicho. Assim, Junior e eu repartimos apenas a mesa. As delícias ficaram apenas para mim. Dias tranquilos passados, hora do retorno.

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O caminho de volta é o mesmo: águas claras e rasas me levam novamente ao píer da vila de Congo Town. A mesma simpática taxista a me esperar, ávida por saber dos meus dias.

Precisei falar pouco. Meu sorriso aberto e semblante tranquilo mostravam bem como tinha sido minha estada no Tiamo Resort. Orgulhosa e feliz, como se fosse a verdadeira dona da propriedade, comentou em seu inglês de pronúncia elegante e dentes muito claros: “Eu sabia. Impossível não ser feliz em minha ilha”.

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Sim. Ela tem razão. Sabemos todos como o Caribe é lindo. Sabemos também que as Bahamas formam um capítulo à parte nesse cenário colorido de verdes, turquesas e areias brancas. O que talvez poucos saibam é que Andros, mais especificamente South Andros, esconde um paraíso e uma gente fantástica pouco conhecidos dos viajantes comuns…

Que continue assim!

> http://www.bahamas.com/islands/andros
> http://www.tiamoresorts.com

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