Sob nova direção

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Desde setembro do ano passado, o alemão Jörg Hofmann é o presidente da Audi do Brasil. Eurobike Magazine esperou ele chegar, arrumar a mesa e fez uma entrevista exclusiva com o novo executivo da marca das quatro argolas

Por Betto D’Elboux

Foi em uma terça-feira aparentemente comum de setembro de 2013 que chegou o comunicado da Audi. Sem sinal de fumaça branca, ou pronunciamentos clássicos em latim, a fabricante alemã apresentou ao país o seu novo presidente e CEO, o alemão Jörg Hofmann. Com mais de quatorze anos de experiência na Audi em mercados estratégicos como a Austrália, Alemanha e Japão, passou a ser o responsável por todas as operações da marca no Brasil.

“Estou entusiasmado para escrever o próximo capítulo da história de sucesso da Audi no Brasil, com uma equipe forte e uma rede dedicada de concessionários”, disse o executivo na época, ao assumir o cargo, substituindo Leandro Radomile, que conduziu a organização de forma interina no período de 2012 e 2013, e que continuará na companhia como diretor de operações, para alavancar o plano de crescimento da Audi. Hofmann chega em um momento muito especial para a marca no país: justamente quando ela estuda abrir uma fábrica aqui.

Com 47 anos recém-completados, casado e pai de quatro filhos, Hofmann é formado em administração de empresas na Alemanha, com mestrado em negócios e gestão de marketing pela Universidade Estadual do Arizona, nos Estados Unidos. O executivo tem dezessete anos de experiência na indústria automobilística — sendo quatorze deles dedicados à Audi. Dentro da empresa, Hofmann ocupou cargos importantes em todo o mundo. Entre 2000 e 2002, foi gerente geral da Audi Japão. Sob seu comando, as vendas no mercado japonês aumentaram 70%.

Como diretor de vendas e marketing para a Ásia-Pacífico, em 2003 e 2004, Hofmann foi o responsável pela estratégia de crescimento de doze mercados, bem como pela entrada da marca na Índia e pelo relançamento dela na Coreia do Sul. De 2004 a 2010, o alemão atuou como diretor executivo da Audi Austrália. Durante sua gestão, as operações australianas registraram seis anos de forte crescimento de dois dígitos e a Audi se tornou a marca automotiva que mais cresceu no país. Desde o seu regresso à Alemanha, há três anos, o executivo ocupou o cargo de diretor executivo de operações de varejo na Audi AG, supervisionando com sucesso a rede própria de concessionários no país e aumentando a satisfação dos clientes.

Agora, a meta dele é elevar o Brasil a um dos principais mercados internacionais da marca. Seja bem-vindo, presidente!

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Eurobike Magazine – Qual o impacto que o aumento do IPI causou para o mercado de carros premium? Sem esse aumento, pode-se garantir que o mercado seria outro, mesmo considerando que o mesmo não seja tão significativo para o público deste segmento?

Jörg Hofmann – A alteração do IPI impactou todas as montadoras, o que representa um acréscimo de valor em todas as concorrentes da marca também. Isso é algo inerente ao processo de vendas e externo às decisões da Audi.

Eurobike Magazine – A abertura da fábrica de São José dos Pinhais (PR) deverá resultar em uma série de benefícios para a marca e, provavelmente, em um valor menor de mercado para os Audi, certo?

Jörg Hofmann – Na planta de São José dos Pinhais, na qual a Audi está investindo R$ 500 milhões, os modelos que serão produzidos são o A3 Sedan, a partir do segundo semestre de 2015, e o Q3, a partir do primeiro semestre de 2016. Os clientes devem esperar modelos Audi montados no Brasil com o mesmo padrão de qualidade dos nossos importados a preços competitivos no segmento premium.

Eurobike Magazine – Hoje, com mais vontade, a indústria busca lançamentos cada vez mais verdes, com variadas soluções tecnológicas ecologicamente responsáveis. Os modelos fabricados no Brasil terão essas características? Jörg Hofmann – Em todo o mundo, a Audi investe em tecnologias sustentáveis para seus modelos. A companhia pesquisa e constantemente desenvolve os motores garantindo uma redução relevante de queima de combustíveis e emissão de CO2 na atmosfera. Um exemplo é o KERS – Sistema de Recuperação de Energia Cinética, tecnologia que recupera a energia (calor) dissipada durante a frenagem, transformando-a em energia cinética para mover a roda, chamado de “roda livre”, e garante a redução do uso de combustível pelo veículo. Eurobike Magazine – No ano passado, o mercado automotivo cresceu 6% como um todo, o segmento premium caiu 35% e seguiu abaixo de 1% do total. Estes números foram revertidos? Quais as expectativas para os próximos cinco anos?

Jörg Hofmann – O mercado de carros premium é um dos que mais cresce no Brasil. A Audi acredita que, até 2020, esse segmento deverá triplicar aqui. Em janeiro deste ano, a Audi atingiu o recorde histórico de vendas, com 1.109 carros vendidos, o que representa um aumento de 133% em relação às vendas de janeiro de 2013. Um dos principais modelos que impulsionou o crescimento foi o A3 Sedan, que também será produzido no Brasil. Além disso, a produção nacional só reforça que a companhia planeja investir cada vez mais no país e ampliar presença em território nacional.

Eurobike Magazine – Quando se fala em mercado premium, a maioria dos principais players são alemães. Não dá para dizer que é coincidência… A Audi enxerga os alemães os seus principais concorrentes, ou os italianos e norte-americanos também são considerados?

Jörg Hofmann – Devido ao perfil do consumidor, movimentos de mercado e modelos de carros, a BMW e a Mercedes-Benz são considerados os principais concorrentes da marca. No entanto, entendemos que o mercado de carros é mais complexo e a Audi respeita e considera as outras marcas como potenciais competidores por clientes também.

Eurobike Magazine – A Audi tem ótima presença como patrocinadora, tanto cultural (o filme Homem de Ferro, por exemplo) quanto esportiva. Que outras ações, atividades e/ou eventos a marca pretende apoiar?

Jörg Hofmann – No mundo todo, a Audi investe em diversos esportes. Em fevereiro de 2014, no Brasil, oficializamos um patrocínio com as equipes de vela do Yatch Clube Santo Amaro (YCSA), que prevê a criação do Audi YCSA Sailing Team, que contará com 56 jovens atletas em quatro categorias pré-olímpicas: Laser, Optimist, 29er e 420. A Audi também entende a tecnologia como fator fundamental para o sucesso em competições de vela. Além da preparação física, psicológica e estratégica dos atletas, uma das grandes preocupações dos velejadores olímpicos é a gestão do peso de suas embarcações, que precisa ser reduzido ao mínimo possível — exatamente o que ocorre atualmente na área do automóvel, na qual a Audi se destaca pela aplicação da filosofia de construção com baixo peso.

Eurobike Magazine – FIA WEC, Le Mans Series, DTM: que impacto a participação da Audi nesses campeonatos internacionais de automobilismo causa nas vendas no Brasil?

Jörg Hofmann – A associação da Audi com eventos esportivos ressalta o DNA de esportividade dos carros da marca, o que os tornam ainda mais atraente para os clientes. A companhia investe em esportes que requerem constante investimento em novas tecnologias, como é o caso das competições citadas. Algumas das inovações que os engenheiros da Audi criam para esses esportes são depois utilizadas nos modelos que vão para os consumidores finais. A Audi é bicampeã do FIA WEC, nas temporadas 2012 e 2013, e para 2014, por exemplo, correremos com o protótipo do Audi R-18 e-tron Quattro. Este carro estreou em competições em 2011 e é o atual bicampeão das 24 Horas de Le Mans, em 2012 e 2013. Ele é o mais complexo modelo de carro de corrida que a Audi já utilizou na competição, e consome 30% menos combustível.

Eurobike Magazine – A Audi pretende seguir apoiando Lucas Di Grassi no automobilismo internacional?

Jörg Hofmann – Audi confirmou o patrocínio ao Lucas Di Grassi, no R 18 #1, para a temporada 2014 do WEC (Mundial de Endurance). Di Grassi ocupará o lugar do piloto Allan McNish, que anunciou a aposentadoria das pistas no fim do ano passado. O piloto irá dividir o carro alemão com o francês Loïc Duval e o dinamarquês Tom Kristensen. Acreditamos que ele seja um excelente piloto e com boas chances de conquistar mais um título.

Eurobike Magazine – Baseado em toda a sua experiência de mercado, quais são as suas expectativas para a Audi no Brasil nos próximos anos?

Jörg Hofmann – Temos planos ambiciosos para o país e planejamos cada vez mais nos tornar parceiros do Brasil. Em 2014, a Audi pretende vender um total de 10 mil veículos, contabilizando todos os modelos, com a participação relevante do A3 Sedan, que deve representar uma parcela expressiva das vendas ao longo dos próximos anos. Em três anos, queremos duplicar nossa rede de concessionários. Até 2020, a fábrica deverá atingir sua produção total, de 26 mil unidades. Este ano, no Brasil, a Audi deve vender 30 mil carros.