Namíbia, o horizonte a seu dispor

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A experiência nesse incrível país começa com a drástica mudança de escala, e suas dimensões nos reduzem à insignificância diante da natureza.

Por Juan Esteves

Quem vive em uma grande cidade como São Paulo, por exemplo, dificilmente tem oportunidade de ver o céu surgir do chão.
Um ponto de vista raro encontrado nas dunas, praias e montanhas da Namíbia.
O país é basicamente formado por dois grandes desertos: a leste, em direção ao interior, o Kalahari, considerado o mais antigo do planeta, e a oeste o Namibe, que segue a costa do Atlântico.

Independente desde 1990, até então o país tinha sido governado pela Alemanha, pela Grã-Bretanha e, por último, pela vizinha África do Sul.

O idioma oficial é o inglês, mas os nativos, tanto brancos quanto negros,falam entre si em afrikaner, cuja origem tem um pouco do holandês e do francês trazido dos protestantes huguenotes, que assim como os primeiros, colonizaram a África do Sul ainda no século 17.

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Os dialetos de tribos nativas, como dos Himba,Herero ou Namba, ainda são mantidos em pequenas comunidades.
Windhoek (pronuncia-se vindúqui),a capital, é o ponto de partida para a maioria das aventuras pelo país.
Chega-se até ela num voo vindo de Joanesburgo, África do Sul.

Com estradas bem acomodadas entre asfalto e terra, pode-se ir com qualquer veículo para os desertos.
Aí nos deparamos com o primeiro contraste: a estrada é ótima, mas raramente encontramos veículos transitando!
São centenas de quilômetros de retas,um traço vertical no GPS que às vezes o fazem parecer um instrumento inútil.
Entretanto, quando surge a hora de mudar o caminho, o mesmo avisa e “magicamente” avistamos, finalmente,uma construção no meio do deserto que parece surgir de repente: um lodge, um restaurante…

Algumas horas pelo Kalahari são o prenúncio do que podemos esperar ao chegar no Namib-Naukluft National Park, já no deserto de Namibe:quatrocentos quilômetros que correm paralelos ao Atlântico, entre Walvis Bay e a cidade portuária de Lüderitz.

Mais cem quilômetros para o interior até chegarmos no melhor do parque:Sossusvlei, com suas dunas gigantes cravadas na savana.

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Apesar de Sossusvlei significar “um lugar para guardar água” no dialeto do povo Nama, a planície que circunda as altas dunas é quase sempre seca.

Raramente, nas estações de chuvas,formam-se pequenos lagos.

Com cores que vão do suave amarelo ao intenso vermelho, as dunas são o cartão postal do país, quase fixas, cristalizadas pelo tempo.

Dificilmente mudam sua estatura, algumas chegam a trezentos metros e até mesmo têm nomes como “Big Daddy” e “Big Mommy”,pois foram separadas pela estrada do parque.

Lodges e acampamentos surgem do meio do nada.

Uma pequena indicação na estrada ou o alerta do GPS e chega-se até eles.

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Em diferentes níveis,dos lodges mais acessíveis ao luxo daqueles incluídos no Leading Lodges of the World, cada um está implantado nas chamadas reservas, criadas para o ecoturismo.

Mas a adrenalina aparece quando fazemos o circuito do Skeleton Coast Park.
São 14.600 quilômetros ao longo da costa africana, onde o inóspito anda ao lado da beleza monumental.
É possível sobrevoar quilômetros e não ver um ser humano.

Em contrapartida,as focas estão lá aos milhares,ocupando praias e pequenas baías.
Restos de naufrágios antigos ou mais recentes dão um certo toque sinistro, e as pequenas praias se juntam às dunas,estas ao deserto, e este às montanhas em formas e tonalidades infinitas.

No chão, o verdadeiro significado do som do silêncio toma forma.
Apenas o ruído do vento e do marulhar.
Há dois jeitos de percorrer a costa e o deserto.
Por ar, em pequenos aviões turbo-hélice, e por terra, em veículos apropriados off-road.
O melhor é com os dois, para chegar a pontos que certamente valem toda a viagem.

O sul-africano André Schoeman me guiou pelos céus, dunas e montanhas.
Ele é o segundo filho de Louw Schoeman,advogado que se tornou um dos pioneiros do ecoturismo e um dos responsáveis pela criação do parque em 1971.

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André aprendeu a voar ainda cedo.

Conta ele que com 10 anos de idade já pegava no manche da aeronave do pai.
Cumpriu o serviço militar na Força Aérea da África do Sul, e desde que terminou a universidade, em 1987, vem voando pela região e abrindo trilhas que proporcionam puro divertimento.

Algumas chegam a assustar, muito próximas dos 90 graus, onde temos que apoiar a mão no parabrisa do veículo.
Sua esposa, Jeanita, dirige o acampamento no Uisib Valey, próximo do Etosha National Park.

Decolamos de uma pequena trilha,que chamam de “pista”, em Geluk,próximo a Sossusvlei, em direção aos acampamentos gerenciados pela família Schoeman.

No caminho, o Atlântico Sul à esquerda, o sol acima,o deserto à direita.
Embaixo, mar e areia se alternavam em abstrações intermináveis.
Uma surpresa: pousos em algumas praias próximas a Conception Bay.
Olha-se para cima,para os lados e nada!

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O horizonte é apenas um fio que divide as cores da areia e do céu.
Percorremos os acampamentos Kuidas Camp, no Huab River Valley, o Purros Camp, no Hoarusib Valley e o Kunene River Camp, na fronteira com Angola.

Voamos pelas formações Ugab, uma série de pequenas montanhas cercadas por dunas, que parecem mais a paisagem lunar, e pelo Kuiseb Canyon.

O voo é próximo das montanhas e pelos rasantes na beira da praia, em Cape Cross, dá par enxergar tubarões e arraias e ver antigas minas de diamantes abandonadas por entre as dunas.
O que restou do navio Eduard Bohlen, naufragado em 1909, ainda pode ser visto como símbolo da inóspita costa.
Em meio às cores saturadas das dunas, algumas aldeias Himba ainda resistem, compostas de pequenas cabanas, onde algumas dezenas vivem como há séculos, próximas ao rio Kunene.

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O vermelho da tintura do corpo se junta à paisagem enquanto as mulheres cuidam dos filhos.
Estes já vão à escola numa integração harmoniosa com o governo, o que permite a sua sobrevivência, sua educação e a manutenção de seus costumes mais ancestrais, como as esculturas em madeira, artesanato em couro, entre outros.
Entre o chão dos acampamentos e os voos, diferentes trilhas levam por terra à impressionantes regiões como o Hartmann Valley, composto por pedras oriundas de lava que dão uma cor especial ao lugar, e ao Etosha National Park, onde é possível encontrar animais como girafas, zebras, elefantes e até mesmo os raros rinocerontes negros.
A sensação indescritível de ver um desses animais próximos e livres,inseridos na belíssima paisagem, é um dos prazeres que a África proporciona.

A ideia é que, não fosse pelas estradas,voltaríamos ao tempo onde tudo começou, onde homem e natureza estavam harmoniosamente convivendo,onde é possível parar, sentar no chão de terra e apenas refletir.

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Namibia: Namibia Tourism Board,B-Mobile Car Rental, Leading Lodges of Africa, Wilderness Safaris, Skeleton Coast Safaris & Profile Safaris e South African Airways .

http://www.skeletoncoastsafaris.com/
http://www.epacha-lodge.com/etoshalodges/epacha-lodge
http://br.wilderness-safaris.com/

South Africa: South Africa Legacy / South African Airways/ Michelangelo Hotel Johanesburg

http://www.legacyhotels.co.za/en/hotels/michelangelohotel